A Pietra

- Comunicóloga, estudante de jornalismo, vegetariana, meio maluca, amante das letras e das artes. Descobriu a paixão pelas palavras no colégio e desde então não parou mais de falar. Agora também escreve.
Cadê?
Arquivos
- maio 2012
- março 2012
- fevereiro 2012
- janeiro 2012
- dezembro 2011
- novembro 2011
- outubro 2011
- setembro 2011
- agosto 2011
- julho 2011
- junho 2011
- maio 2011
- abril 2011
- março 2011
- fevereiro 2011
- janeiro 2011
- dezembro 2010
- outubro 2010
- setembro 2010
- agosto 2010
- julho 2010
- junho 2010
- maio 2010
- abril 2010
- março 2010
Blogroll
Os +Populares
amor análise Armando Nogueira blog brasileiro Café cantora cheiro comentário pessoal confusão crepusculo Critica dica Dionne Warwick Documentários dor emo entrevista escritor Estamira estréia indignação IT MTV Jornalismo jovem juventude letra medo morar no brasil morte Mércia noticias notícia Outsider Padrão perda permita-se profissão programa do jô Pulseira dosexo relacionamento Saramago saudade sentidos vestibularContato
Carta de despejo…
Oficialmente, você está despejado. Não há mais nada que possamos fazer para nos reconciliarmos, e já desisti de tentar te matar. Assassinato dá trabalho.
Assassinato dá fome…
Cansei de te olhar nos olhos toda manhã, de te acariciar a cara enrugada, de te aturar o mau humor, de te ajudar a achar as chaves.
Cansei de te aturar as chatices, as trapalhadas, o jeito que você reclama de tudo e todos.
Cansei de você, do seu papo e da sua cara. Cansei dos seus pés na minha sala, cansei da sua sombra no meu sono.
Caia fora…. deixe as toalhas.
E nem pense em me esquecer.
Publicado em Cartas
Ainda morro…
Uma hora dessas,
tarde assim,
longe de mim,
perto de você e da luz de seus olhos,
ainda morro de ti.
Por entre as brechas
e as flechas
e as frestas,
e as marcações da música,
ainda morro de ti.
Por todo o caminho,
no ninho,
nossos frutos,
nossos olhos,
minhas falhas,
ainda morro de ti.
E de toda alegra, e de todos os pontos
mesmo longe demais,
correrei para ti
correrei para ti.
E de todos sorrisos,
e por toda a São Paulo,
e além, e depois,
e por tudo em minha cabeça,
e no que cabe em meus braços,
e em meu coração,
ainda morro por ti.
E de tantos lados,
e pedaços,
e moleques.
E das camas e das janelas
e de tanta luz,
e de tanto você,
num dia breve,
nem longe, nem perto,
apenas ali,
ainda morro de mim.
Publicado em Letra Pietra, Poemas
Meu rio de sol…
Ela corre, ela corre
e foge
e corre
e grita cheia de mágoa.
E sua alma corre com ela,
presa em seus cabelos,
em seus braços, em seus nervos.
E de seus olhos escorrem lagrimas doces,
e quentes como o sol.
Como um rio de sol.
Que corre pra longe de mim.
E ela corre, e corre
e foge,
e corre,
na escuridão.
E suas palavras correm
com ela
dela,
por ela,
e inundam o chão de aço.
E ela corre, e corre
e foge,
e corre
dela.
Das palavras e dela, do destino, da profecia, do medo dela.
E leva com ela
esses olhos fundos e cheios de medo e dor, e raiva.
E ela ainda corre para longe,
e sua boca fala.
Sua língua treme e ela corre,
a língua, não ela.
Corre para longe, para longe dela.
Carregando nela o veneno de mil serpentes,
e a raiva de mil soldados,
e o medo de toda a humanidade.
E nossos sonhos guardados
em uma caixinha de papelão.
Na fuga, deixa cair e eu pego do chão
os enfeites de seus cabelos e a dor de seus anos.
E o sol de suas lágrimas,
e o dom de seus dedos,
e o tom de suas palavras
e a fome de sua raiva
e a fome de minha dor
e a hora de nossas páginas.
E o som.
Tum tum, tum tum, tum tum.
E o dom…
E ela corre,
e foge,
e corre,
e grita na solidão.
Mas não pede socorro.
Não olha pra traz
não sente saudade,
não me dá adeus.
Leva com ela o meu sol.
Meu rio que corre pra longe de mim,
um rio de sol.
Ela sorri.
Publicado em Letra Pietra, Poemas
La vida
Às vezes, abro os olhos na escuridão pensando ter ouvido sua voz.
E quando fecho-os novamente sinto-me mergulhar naquele medo, naquele pavor de sempre. De antes. De você.
E quando a manhã rejuvenesce meus pavores, e manda para longe o frio, levanto-me novamente insegura. Como antes de você. Como depois que partiu. Como agora.
E durante os minutos,
curtos
em que demoro a percorrer uma rua
e dobrar uma esquina
bato em você. Tropeço. Vou ao chão.
Quase como se estivesse esperando o choque, como se todo o medo me tremesse os nervos, desligasse os sentidos, me tomasse e levasse direto a você.
No dobrar de uma esquina.
Enquanto ouço-a cantar. E agradecer por seus pies cansados
E por toda a vida,
e de todos os lados,
e de você,
que me ha dado tanto.
E me vejo tombar,
Cair,
Derrubar tudo em mim. Dentro de mim.
Ensurdecer com o barulho de tudo se arrebentando,
Voando cacos de mim e de você,
como batida de carro. Como o impacto do vidro estilhaçando.
O barulho, o suor,
o poder do meu amor e do seu ódio. Quebrando.
Estilhaçando.
Gracias a el alto cielo estrellado
Gracias a mis luceros,
miro el fondo de tus ojos claros.
Como ela cantou um dia.
Publicado em Contos, Letra Pietra
Um gato
No horizonte tem um gato
Um grande gato preto de
garras afiadas e dentes
tão afiados quanto as garras
com as patas plantadas no chão.
Seus grossos pelos negros como
a noite escura de dias tristes,
de outonos tristes e cobertas vermelhas
e filmes tão ruins quanto o frio.
Seus dentes cravam minha pele fria
e sua lingua toca meus poros,
arrepia-me os pelos e me enoja.
Porém, seus olhos não me olham.
Não me olham estes olhos verdes
verdes de ódio e medo.
Medo do futuro.
Fitando meu passado com medo da escuridão.
No horizonte tem um gato.
Um gato preto e cheio de medo.
Um gato do passado.
Publicado em Letra Pietra, Poemas
Ordenando Favores
Quando alguém te passa um e-mail pedindo um favor. Um favor que você cobraria porque é trabalho. Mas, o favor vira ordem, e tu fica com a cara que eu tô agora. Segue:
De: ordenandoumfavor@fantasma.com.br Para:trouxaquefariaofavordegraçasepedidocomcarinho@semdinheiro.com “Bom Dia Fulana Tudo Bem? Peço por gentileza montagem de um bannerzinho (tipo cartão) para colar em lembranças de debutante. Dados: Debutando Faça parte do meu aniversário de 15 anos Maria Angélica 28/04/2012 Usar a foto em anexo. A cor da festa é lilás, favor utilizar tons de lilas no banner. Desde já agradeço. Obrigada. Malandra que quer o serviço de graça e não quer fazer sozinha. “*só alterei nomes e dados para não constranger a espertalhona. É isso que somos obrigados a viver. Obrigado, oh Pai dos idiotas, é sempre uma honra.*
Publicado em Letra Pietra, Ossos dos ofícios
O peso das enciclopédias.
Oi!
A notícia do fim das impressões da maior enciclopédia do mundo, a Enciclopédia Britânica, me levaram a este torpe texto. Desculpem a piragem.
Mas… eu gosto de enciclopédias. Gosto de enciclopédias porque adoro livros. Adoro livros velhos e enciclopédias.
A versão digital da EB, sei bem, será demais. Será uma maravilha poder consultar algo tão bom, em qualquer lugar, sem ter de carregar 20kg desta felicidade. Será ainda melhor não espirrar com o cheiro de guardado e a inconveniência de abrir um livro grande demais. Será legal.
Mas, eu curto espirrar com cheiro de livro velho, eu curto aquele pó, aquele ácaro, aquela orelhinha que deixei passar. Eu curto me atrapalhar abrindo as páginas. Curto muito a quantidade de páginas. Adoro ler rodapés.
Eu gosto do peso, daquele tamanho trambolhão, daquela ignorância da capa tradicionalíssima. Eu curto essas coisas. Coisas de gente velha que curte livro velho. E pó.
Enciclopédias são o máximo. Livros são o máximo, mas enciclopédias são mais.
Nos livros sabemos o que vamos encontrar. Uma história. Nas enciclopédias, o mais legal de tudo, além do cheiro de velho, são as surpresas.
Nesse diabo de era Google, as pessoas esqueceram o prazer da enciclopédia, dos dicionários, dos livros com cheiro de velho que atacam suas rinites. Ah, o prazer da rinite.
É legal digitar e clicar enter pra saber que bômbix é o mesmo que bicho-da-seda. É só digitar e enter, tá lá. Mas, nas enciclopédias o barato é outra coisa. Além do ácaro, tem a maravilha de migrar os olhos, naquela multidão de palavras, e descobrir que bonaris é uma tribo indígena que vive às margens do rio Atumá, na parte esquerda do rio Amazonas. Um povo do meu povo. Uma gente que eu não conhecia e que eu não sabia que vivia no Atumá. Daí eu procuro o rio Atumá, e descubro que, além de rio, Atumas é uma tribo indígena (quanto índio) do alto do rio Uatumã e do Jatapu. Daí eu quero saber onde é esse rio Uatumã e depois o Jatapu…
Tenho loucura por enciclopédias, livros e pó, e rinite de livros. Coceira no nariz. Lencinho. Antialérgico. Livro trambolhão. 20kg. Palavras estranhas para inventar sentidos incoerentes. Pesquisas que não acabam nunca. Jogos de enciclopédia. Orelhas e marcadores de página esquecidos no tempo. Rinite. Sono de antialérgico.
É, mas acho que vou comprar um tablet. E talvez mais algumas prateleiras.
Publicado em Jornalismo, Letra Pietra, Livros, Música, Cinema, TV e Arte, Prosa, Reflexões


