Ato final

Um a um ele os viu desabrochar. Em pétalas, cheias de sangue e dor. Fabricando assassinos que desempenhariam o seu papel odioso, terrível e saboroso. Matar sem sujar as mão, plantar a semente do assassinato em peitos tão pueris, tão inocentes.

Um a um ele os corrompeu e influenciou. Todos os crimes que cometeu não lhe sujaram as mãos. E agora, deitado em sua cama, enfiado em seu velho roupão xadrez horroroso, ele descansa suavemente. Eternamente. Na total e completa paz de um tiro no meio da testa.

Mão limpas de todo o sangue, peito aberto, ódio amordaçado.

Ele conseguiu mais uma vez. Aplausos efusivos. E os velhos olhos, sempre vidrados.

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