Geladeira

Ele abriu a geladeira para pensar… Notou a falta de legumes, o excesso de cerveja, a sua preocupação (nula) com a limpeza e conservação, o pote de margarina que estava lá desde que se mudou há três anos. Notou como sua geladeira denunciava a sua solidão, seu tipo de vida, seu casamento dissolvido, seu mau humor… Como pode uma geladeira dizer tanto sobre alguém?

Fechou a geladeira tirando dela somente a garrafa de água gelada. Bebeu, no gargalo mesmo, e após três goladas sentiu aquele maldito congelamento instantâneo que parece a morte em fagulhas direto no seu cérebro. Notou que não tinha ninguém para ajudá-lo, ou para ouvir sua reclamação de dor, ou para rir da sua cara. Notou todo o vazio, todo o seu abandono. Notou que fez tudo, mas absolutamente tudo errado. Notou que até ali ele havia achado que tudo tinha, estava e continuaria dando errado, sem reconhecer sua culpa nisso.

Abriu a geladeira novamente e guardou a garrafa de água. Deu adeus para sua velha vida miserável e pegou uma cerveja.

Decidiu que, a partir daquele momento, iria dar tudo certo.

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