De um frágil coração

Ele apertou o peito. Novamente a dor. Novamente o formigamento.

Não há de ser nada, pensou. Mas era. E veio como um cavaleiro do apocalipse.

Apertou o peito novamente e sentiu que era um infarto. Sentiu um medo de gelar os ossos pelo que poderia acontecer.

Morrer.

Pensou na vida, na família, na esposa, nos filhos, no cachorro. Pensou até no contador. Pensou no mendigo da esquina com quem batia um papo meio doido às vezes.

Afrouxou a gravata, reclinou na poltrona, e pensou em quanto tempo demorou para chegar ali. Pensou em quanto teve que investir, em quantos teve que pisar. Lembrou dos rostos daqueles a quem massacrou. A dor apertou mais. Ele agora tremia todo.

Pensou que talvez a morte não lhe fosse tão ruim. Talvez fosse algo até bom, afinal, dizem que o inferno é aqui. Dizem que pagamos nossos pecados aqui, em vida. E ele não havia pago nenhum de seus pecados, ainda.

Pensou que talvez seu maior medo não fosse se tornar realidade. Talvez ele não fosse esmagado pelo peso da mão da justiça. Nem da divina, nem da dos homens. Morrer, neste caso, lhe parecia interessante.

E ela veio, a morte,  vingando um a um, quase como Monte Cristo.

Acho que ele se enganou.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s