Trocando de pele

Um dia eu abri um livro e notei que dele exalava um cheiro estranho.  Não um cheio de livro velho, ou de livro recém comprado, mas um cheiro característico da minha memória. Um cheiro velho. Um antigo cheiro meu.

E quantas vezes já não fiz isso? E quantas vezes já não abri uma gaveta e senti cheiro de saudade? Quantas vezes não passei uma camisa e exalou dela um velho cheiro de lágrimas? Quantos livros não folheei e senti neles o cheiro pesado de outras tristezas?

Por tantas vezes eu senti cheiros que larguei em cantos diferentes. Cheiros que se desprenderam de mim e se acomodaram em móveis, livros, roupas, gavetas.

Desprenderam-se de mim como uma velha casca, como uma cobra que troca de pele, e que, em cada escama nova, supera a velha e deixa pra traz tudo aquilo que já não serve mais para este novo corpo.

 

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