Mariposa

Dos domingos emana o cheiro da preguiça.

Ela estende a mão para a garrafa, dá um gole, engasga.

Beber deitado é uma merda.

Ele pergunta se está tudo bem. Ela se irrita, não com a pergunta, mas com a mariposa voando.

Ele torna a perguntar. Ouve um grasnado como resposta. Desiste.

“Que droga, tira isso daí” – ela diz.

Estava sussurrando. Quase como se a mariposa pudesse ouvir e entender o que ela dizia. Às vezes, com frequência até, ela tomava uma posição um tanto puritana, quase como se tudo ao redor fosse obsceno. Como se todos estivessem nus só para fazê-la se envergonhar. Corando.

Ela falava com ele.

Malditas mãos que procuram com as pontas dos dedos, instintivamente, um lugar seguro e quente para repousar.

Quase como as mariposas.

 

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