O peso das enciclopédias.

Oi!

A notícia do fim das impressões da maior enciclopédia do mundo, a Enciclopédia Britânica, me levaram a este torpe texto. Desculpem a piragem.

Mas… eu gosto de enciclopédias. Gosto de enciclopédias porque adoro livros. Adoro livros velhos e enciclopédias.

A versão digital da EB, sei bem, será demais. Será uma maravilha poder consultar algo tão bom, em qualquer lugar, sem ter de carregar 20kg desta felicidade. Será ainda melhor não espirrar com o cheiro de guardado e a inconveniência de abrir um livro grande demais. Será legal.

Mas, eu curto espirrar com cheiro de livro velho, eu curto aquele pó, aquele ácaro, aquela orelhinha que deixei passar. Eu curto me atrapalhar abrindo as páginas. Curto muito a quantidade de páginas. Adoro ler rodapés.

Eu gosto do peso, daquele tamanho trambolhão, daquela ignorância da capa tradicionalíssima. Eu curto essas coisas. Coisas de gente velha que curte livro velho. E pó.

Enciclopédias são o máximo. Livros são o máximo, mas enciclopédias são mais.

Nos livros sabemos o que vamos encontrar. Uma história. Nas enciclopédias, o mais legal de tudo, além do cheiro de velho, são as surpresas.

Nesse diabo de era Google, as pessoas esqueceram o prazer da enciclopédia, dos dicionários, dos livros com cheiro de velho que atacam suas rinites. Ah, o prazer da rinite.

É legal digitar e clicar enter pra saber que bômbix é o mesmo que bicho-da-seda. É só digitar e enter, tá lá. Mas, nas enciclopédias o barato é outra coisa. Além do ácaro, tem a maravilha de migrar os olhos, naquela multidão de palavras, e descobrir que bonaris é uma tribo indígena que vive às margens do rio Atumá, na parte esquerda do rio Amazonas. Um povo do meu povo. Uma gente que eu não conhecia e que eu não sabia que vivia no Atumá. Daí eu procuro o rio Atumá, e descubro que, além de rio, Atumas é uma tribo indígena (quanto índio) do alto do rio Uatumã e do Jatapu. Daí eu quero saber onde é esse rio Uatumã e depois o Jatapu…

Tenho loucura por enciclopédias, livros e pó, e rinite de livros. Coceira no nariz. Lencinho. Antialérgico. Livro trambolhão. 20kg. Palavras estranhas para inventar sentidos incoerentes. Pesquisas que não acabam nunca. Jogos de enciclopédia. Orelhas e marcadores de página esquecidos no tempo. Rinite. Sono de antialérgico.

É, mas acho que vou comprar um tablet. E talvez mais algumas prateleiras.

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