Uma sentença

Sentada em uma cadeira fria, naquela sala ainda mais fria, esperando a resolução. Meus pés, enfiados em sapatos baratos e meias brancas, gelados, sobre o chão de cimento corrido, estão virados para a porta. Espero o momento para sair através dela, em direção àquela sala quente e cheia de gente que quer minha condenação. Uma sala cheia e pesada de ódio, um ódio destinado a mim.

Enquanto espero, sinto o frio atingir meus ossos, enregelar cada pedaço pulsante do meu corpo, e carregar minha alma para fora dele. O pior de todos os castigos não é a espera, é o frio. Um ar gelado circula pela sala e congela minhas mãos algemadas, meus pés algemados, meu coração algemado.

E eu continuo esperando. E congelando.

Nunca me esquecerei, nem no mais pleno verão, o terrível frio. E continuarei esperando… e tremendo… e morrendo.

 

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2 comentários sobre “Uma sentença

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